segunda-feira, 24 de março de 2014

Passos do Senhor marcam a caminhada quaresmal em Nisa




No domingo de 23 de março a vila de Nisa assistiu à solene procissão de Nosso Senhor dos Passos. Esta festa, alusiva ao último caminho percorrido pelo Senhor Jesus na direcção ao Calvário, realiza-se, segundo longa tradição, no terceiro domingo da Quaresma, inscrevendo-se, de um modo indelével, no panorama religioso e social da Vila.


A Nosso Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores e São João, levados nos respectivos andores, agregaram-se centenas de peregrinos que, nesta manifestação pública da fé, percorreram as ruas de Nisa entre a igreja Matriz e a capela do Calvário. Por meio das orações, cânticos e peças musicais, o cortejo visitou e deteve-se nas sete estações da Via Sacra denominados como “os passos do Senhor”.

O “sermão” da festa ficou ao cargo do Pe. António Augusto Leite – Superior Provincial dos Missionários do Verbo Divino – que, de uma forma calorosa e efusiva ajudou os presentes a considerar o sentido profundo da caminhada humana, durante a qual somos acompanhados por um Deus de amor e pela ternura de Sua e nossa Mãe.

Os nossos agradecimentos a todos os envolvidos na preparação e realização dos “Passos do Senhor 2014” , designadamente a Equipa Coordenadora, a todos os particulares, aos acólitos, cantores e leitores.
















Palavras de agradecimento à Banda Musical Nisense que solenizou toda a procissão e à Guarda Nacional Republicana que garantiu um percurso ordeiro e seguro.



A todos os leitores e a toda a comunidade paroquial desejamos um percurso quaresmal cheio de significado, assim como os seus frutos pascais!

sábado, 22 de março de 2014

PROCISSÃO DO PASSOS - 23/03/2014


10h.30 - Procissão do Calvário para a Igreja Matriz
11h00 - Missa na Igreja Matriz
16h00 - Solene Procissão do Senhor dos Passos pelas ruas da Vila

III Domingo da Quaresma

LEITURA I Ex 17, 3-7
«Dá-nos água para beber»

Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?». Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)


Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor. Refrão

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. Refrão

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras. Refrão


LEITURA II Rom 5, 1-2.5-8
«O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos: Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO  Jo 4, 5-42
«Fonte da água que jorra para a vida eterna»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água.
Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?». Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». «Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui». Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas». Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?», ou então: «Porque falas com ela?». A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?». Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?». Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho». Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

Palavra da salvação.


sábado, 15 de março de 2014

II Domingo da Quaresma

LEITURA I Gen 12, 1-4a
«Vocação de Abraão, pai do povo de Deus»

Leitura do Livro do Génesis
Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». Abraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)


A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados
para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome. Refrão

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor. Refrão


LEITURA II 2 Tim 1, 8b-10
«Deus nos chama e ilumina»

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
Caríssimo: Sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade, manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO Mt 17, 1-9
«O seu rosto ficou resplandecente como o sol»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-Se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

Palavra da salvação.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Morte do D. José Policarpo, o Cardeal do Diálogo e da Esperança

Patriarca emérito de Lisboa morreu na sala de operações quando estava a ser operado a um aneurisma da aorta. O funeral decorre esta sexta-feira, às 16h00, na Sé de Lisboa.



D. José Policarpo participava num retiro de bispos, em Fátima, quando se sentiu mal e foi de emergência para Lisboa onde lhe foi detectado um aneurisma na aorta. Morreu na sala de operações, durante a intervenção cirúrgica de emergência a que foi submetido no Hospital do SAMS. Tinha 78 anos. As exéquias do patriarca emérito de Lisboa realizam-se esta sexta-feira, na Sé de Lisboa, a partir das 16h00, sendo depois sepultado no Panteão dos Patriarcas, em S. Vicente de Fora.

D. José Policarpo foi, até 18 de Maio de 2013, cardeal patriarca de Lisboa, cargo que ocupava desde 1998, o que contribuiu para se destacar como uma das principais figuras da Igreja Católica em Portugal. Participou em dois conclaves: no de Abril de 2005, que elegeu Bento XVI, e no de Março de 2013, que culminou na escolha do Papa Francisco. Foi, ele próprio, dado como possível ocupante do maior cargo da Igreja Católica. Em 2005, antes da eleição de Ratzinger, chegou a ser caricaturado pela imprensa internacional com uma nuvem de fumo à sua volta, por causa dos cigarros que fumava compulsivamente.

Mas era muito mais do que isso. Era “um homem corajoso, que não pedia licença para dizer o que pensava”, recorda o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Fernando Soares Loja.

Bruto da Costa, da Comissão Justiça e Paz, conheceu bem D. José. “Lidei com ele muitos anos, desde a altura em que ele era bispo auxiliar, e a notícia apanhou-me de surpresa. Em muitas ocasiões colaborei com ele e devo-lhe gestos de amizade pessoal.” Recorda um: “Há muitos anos ele deu conta de que eu não tinha carro e dispôs-se a emprestar-me o carro pessoal dele. Não tive gestos destes de muita gente”. Mas, sobretudo, Bruto da Costa sublinha “os gestos de diálogo” que Policarpo revelou ao longo da vida, nomeadamente “com o mundo não crente”. “Era um intelectual e respeitado como tal. [A sua morte] é uma grande perda para a Igreja e para a sociedade portuguesa.”

Sobre as polémicas, em alguns momentos, dentro e fora da Igreja, diz que D. José Policarpo “era um homem culto, de uma elevada intelectualidade na forma como fundamentava as suas posições e que sabia que as divergências fazem parte da vida e que a igreja se define como um espaço de diálogo”.

Carreira das Neves, um ano mais novo do que D. José Policarpo, foi seu amigo e colega, nomeadamente como professor, em diferentes ocasiões: “Era um homem superiormente inteligente, muito dedicado. Como padre, era um pai para os padres das suas dioceses”, nota, recordando várias ocasiões em que, como patriarca de Lisboa, D. José aparecia nas igrejas sem se fazer anunciar “para falar e ajudar a resolver problemas”. “Aparecia quando menos esperavam.”

“D. José tinha coisas muito interessantes e era um homem muito aberto”, continua o padre Carreira das Neves. Era um “democrata” que revelava “uma grande capacidade de ouvir os outros”, um homem “aberto” e, por vezes, “polémico”. E uma das polémicas deu bastante que falar: “Há uns anos, numas conferências na Figueira da Foz, num momento de intervalo, quando pensava que não estava a ser gravado, alguém lhe perguntou sobre a possibilidade de as mulheres serem ordenadas padres. Ele disse que era uma questão em aberto, e que mais cedo ou mais tarde isso acabaria por acontecer. As suas palavras chegaram ao Vaticano, que não gostou nada.”

D. José Policarpo era, porém, pouco dado a fracturas. Aliás, poucos dias depois de ter reiterado, numa entrevista publicada no boletim da Ordem dos Advogados, em Julho de 2011, que não via nenhum obstáculo teológico fundamental ao sacerdócio feminino, viria desdizer-se publicamente, convidando os católicos a “acatarem o magistério” da Igreja que interditava essa possibilidade. “Podem pensar que esta atitude tem o sabor do acomodamento, mas considero que revelou um grande sentido de coragem e de humildade intelectual”, recorda, a propósito, D. Januário Torgal Ferreira.

O bispo emérito das Forças Armadas prefere assim sublinhar a capacidade de D. José Policarpo se pôr ao serviço da Igreja, “sempre em diálogo aberto com a sociedade”. “Ele sempre se esforçou para que determinadas posições da Igreja fossem mais além e, não o sendo, foi muitas vezes acusado de ser conservador. Mas penso que, como cardeal, ele sentia que tinha que guardar um tipo de fidelidade que não era coadunável com a elasticidade mental que o caracterizava”, acrescentou D. Januário, sobre alguém a quem imputa uma “atitude de extrema atenção ao mundo”.

Colega de D. José Policarpo na Universidade Gregoriana de Roma, o teólogo Anselmo Borges desfaz a imagem de alguém pouco caloroso, algo distante até na expressão. “Quem o conhecia de perto, sabia que era um homem muito caloroso, culto, aberto ao mundo, dialogante”, caracterizou ao PÚBLICO. “Não era de muitos sorrisos, mas nunca o vi como alguém de expressão dura”, confirma o cónego António Pereira Rego, elogiando-lhe o “sentido de humor finíssimo” que nem sempre transparecia “na forma como se apresentava”.

À SIC Notícias, o ex-ministro das Finanças, Bagão Félix, confirmou o carácter “afável” de D. José Policarpo. “Podia parecer algo distante mas era, pelo contrário, muito caloroso e de grande mansidão”, declarou, para acrescentar: “Era suficientemente ortodoxo do ponto de vista da fé, mas não tão ortodoxo que não permitisse alguma liberdade aos fiéis”. Uma impressão corroborada também por António Pereira Rego. “Se era progressista ou conservador em questões como o divórcio, a contracepção ou o aborto? É evidente que um cardeal não pode ser conservador nem progressista, porque as coisas são o que são, mas ele não acusava nem condenada ninguém, podia não estar de acordo mas, tal como mandava Santo Agostinho, detestava o pecado e amava o pecador”.

Não era retórica. O cónego António Janela, que se cruzou com D. Policarpo no Colégio Português, em Roma, no final da década de 1960, início da de 1970, recorda “os “anos muito duros” quando o então ainda padre José Policarpo foi encarregue pelo ainda cardeal Cerejeira para dirigir o seminário dos Olivais, em Lisboa. Foram os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II” e aos anos do Estado Novo, com padres a abandonar a Igreja Católica ou a serem afastados por não concordarem politicamente com a ditadura, por exemplo. Décadas mais tarde, é D. José que os reintegra e, em 1998, chega mesmo a celebrar o matrimónio do ex-sacerdote Felicidade Alves.

Durante as décadas em que esteve à frente do seminário foi “uma figura marcante” na formação dos futuros padres, recorda ainda António Janela, actualmente na paróquia do Coração de Jesus, em Lisboa. D. António Ribeiro, o então Patriarca de Lisboa tinha “enorme confiança” em Policarpo e, sabendo que este seria nomeado para ser bispo do Porto, pediu directamente a Roma que José ficasse como seu co-adjutor com direito a sucessão. Assim foi. Depois da morte de António Ribeiro, em 1998, Policarpo sucede-lhe à frente dos destinos de Lisboa.

Actualmente, D. José Policarpo encontrava-se em Sintra e sentir-se-ia “um pouco isolado”. Depois de tantos anos de mundo, “é difícil a adaptação, mas queria fazer um centro de espiritualidade e disse que o Papa o tinha encarregado de uma missão, sobre a qual não podia falar, mas era uma missão noutro país”, conta António Janela. “Ele estava ainda numa fase de adaptação à sua nova vida”, confirma o cónego António Pereira Rego. “Sempre disse que queria ter tempo para se recolher, reflectir e para escrever”. Teve menos de um ano para o fazer. 



Que D. José Policarpo descanse em Paz!